Instituição

Em 1934, meninos e meninas de todas as idades começaram a subir a ladeira que levava ao cemitério, porque, um pouco mais acima da cidade das sombras onde descansavam os corpos daqueles que já haviam terminado a sua tarefa, havia uma casa onde jorrava luz para os que tinham uma longa jornada diante de si a percorrer. Era a Escola Nossa Senhora Imaculada. (FONSECA, Lydia Mombelli - 1987).

História

Ao apresentarmos o Instituto Estadual de Educação Nossa Senhora Imaculada, não podemos deixar de considerar a trajetória deste educandário, que, ao longo de sua história, sempre tentou imprimir um caráter progressista ao seu currículo e possui na região um espaço privilegiado e reconhecido como agência formadora de ótimos professores das séries iniciais.Esse espaço conquistado pela coerência de suas ações educativas e por assumir, em todos os momentos da história do Estado e do município, uma posição de vanguarda e atuação.

Na década de 30, com a sociedade taperense urbanizando-se, aumentava o número de comerciantes, de agricultores e de pessoas que se dedicavam às atividades industriais que, em ascensão podiam sonhar com a educação de seus filhos. Muitas pessoas vieram morar em Tapera, que se mostrava um município bastante promissor. Era chegado o momento da comunidade se organizar e lutar por uma escola formal, deixando de lado o antigo e dispendioso sistema de contratar professores para lecionar em casa.

Em 1933, seis religiosas chegam a Tapera, então, distrito de Carazinho, vindas de navio de Nápoles, Itália, para ensinarem pintura, música, bordado, trabalhos manuais, datilografia, teatro, além das letras aos filhos dos que tinham melhores condições financeiras. A esses, uma escola clássica, construída pela comunidade e mantida por particulares.

A Escola Primária Nossa Senhora Imaculada vem suprir uma lacuna na educação da população taperense, principalmente, a urbana, já que a mesma havia crescido neste período.

Com a urbanização do município, tendo sido o mesmo colonizado por descendentes de alemães e italianos (imigrantes que davam valor ao ensino), a Educação em Tapera vai ganhando mais espaço e caracterizando a escola pública (Grupo Escolar) como escola do povo, dos pobres e o colégio das irmãs da elite, o que gera certa rivalidade entre ambas.

Com o passar do tempo, a rivalidade entre as duas escolas vai diminuindo, pois professores que haviam estudado no colégio das freiras (que funcionava até o 5º ano, conforme a Reforma Francisco Campos), passaram a lecionar no Grupo. E, devido ao fato de o colégio das freiras necessitar cada vez mais de professores leigos, elas, então, passaram a dar mais um reforço após o 5º ano para que as alunas pudessem exercer o magistério.

Tapera - Cidade Cultura

As reformas educacionais referentes ao ensino secundário (Reforma Capanema) ocorridas em nível nacional, não se fizeram sentir em Tapera, uma vez que, na época, era somente ministrado o ensino primário. Aqueles que queriam continuar seus estudos deslocavam-se principalmente para Carazinho e Porto Alegre. Com a finalidade de ampliar os graus de ensino e possibilitar aos jovens taperenses estudarem aqui mesmo, criou-se a Sociedade Cultural Taperense, que com recursos próprios, mantinha o Ginásio Taperense (1957). Aí já podia-se sentir o empenho da comunidade e a preocupação com a ampliação dos conhecimentos.

No cenário nacional da época, temos a LDB 4024/61, que não trouxe nenhuma mudança significativa à educação no país. A nação perdeu a oportunidade de criar um modelo de sistema educacional condizente com o sistema de produção do país e com os progressos sociais já alcançados. Foi uma lei retrógrada e que reforçava o velho sistema pré-capitalista, não sendo de acordo com as tendências da Escola Nova e ideais de Paulo Freire.

Com o ginásio em funcionamento, a nova meta, foi a instalação de uma escola de 2º grau. Pela sua localização na região e receptividade quanto à busca de escolaridade, Tapera pleiteou a instalação de uma Escola Normal e de um Curso de Contabilidade.

Essa luta foi recompensada em 1962 com a criação da Escola Normal Nossa Senhora da Pompéia e, em 1963 com a criação do Colégio Comercial Taperense, sendo o Dr. Décio Antônio Erpen, o primeiro diretor de ambas, as quais funcionavam no mesmo prédio do Ginásio, pertencentes à mesma Sociedade Cultural Taperense.

A escola Normal desenvolvia suas aulas à tarde, e o Colégio Comercial Taperense, à noite, sendo a Escola Normal, a primeira do Alto Jacuí. Recebia alunos de Alto Alegre, XV de Novembro, Espumoso, Ibirubá, Victor Graeff, Não Me Toque, Colorado, Selbach e Soledade. Comprova-se aqui a tradição regional de formarem-se em Tapera os professores da Região
Por buscar a instalação de escolas e de cursos, lutar pela diversificação dos mesmos em nível de 2º grau, pelo bom fluxo de estudantes da região às suas escolas, Tapera foi denominada Cidade Cultura, denominação essa criada pela escritora Lydia Mombelli da Fonseca, que aqui residia, com o intuito de sintetizar toda essa preocupação pelo estudo e pela cultura por parte dos taperenses.

Em 1964, o professor Dialmino Salvadori assumiu como diretor do Colégio Comercial Taperense, contando com o apoio federal através do MEC para o fornecimento de materiais utilizados no Curso de Contabilidade, tendo como inspetor federal, Ermilo da Silva Martins, que fazia a supervisão das notas do contador, mas sem o apoio financeiro. As firmas e a comunidade movidas pelo interesse sempre apoiaram as iniciativas do colégio. Os cursos eram particulares e mantidos pela Sociedade Cultural Taperense, por isso os alunos pagavam mensalidades para freqüentá-los.

A identificação com as lutas democráticas

Por volta do ano de 1967, época da ditadura militar, circulava na Escola Normal Nossa Senhora da Pompéia, o Jornal Estudantil, organizado por alunos que faziam parte do grupo de Juventude Estudantil Católica. Mais tarde, este jornal foi motivo da vinda do DOPS à Tapera, levando fotos dos artigos e intimidando este grupo.

O golpe militar de 31 de março de 1964, que encerrou a fase econômica do nacionalismo reformista e abriu o país para uma política econômica conservadora, se fez sentir na educação brasileira, da mesma forma que em outros setores da vida nacional. Os resultados decorrentes em nossas escolas foram: elevado índice de repetência e evasão escolar, escolas com deficiências de recursos materiais e humanos, professores pessimamente remunerados, sem motivação para o trabalho, elevada taxa de analfabetismo e a proibição de toda e qualquer manifestação de caráter político ou de protesto no âmbito estudantil, do corpo discente e docente através do Decreto 477/69. As idéias inovadoras do movimento escolanovista foram interrompidas, e a escola democrática com que se sonhava adiou os seus projetos.

Os presidentes militares impuseram uma legislação autoritária através de atos institucionais, decretos leis, atos complementares e emendas constitucionais. A liberdade de expressão e de organização era quase inexistente, partidos políticos, sindicatos, agremiações estudantis e outras organizações representantes da sociedade foram extintos ou sofreram intervenções do governo. Houve tentativa de acabar com os movimentos estudantis vinculando as entidades dos estudantes aos órgãos dependentes das verbas e orientação do Ministério da Educação. A UNE foi substituída pelo Diretório Nacional de estudantes e, mesmo com a proibição, os estudantes realizaram seus congressos nacionais e estaduais da UNE. Participante em um desses congressos, o estudante taperense, Athanásio Orth, cujo nome mais tarde figura no quadro de professores da Escola, marcando para sempre a sua história pelos ideais de liberdade que defendia, foi perseguido, torturado e preso por mais de cinco anos como subversivo.

Após sua liberdade, ficou por algum tempo em sua terra natal, onde iniciou seu trabalho como professor no Colégio Estadual de Tapera. O professor promovia as famosas Gincanas Culturais, envolvendo alunos, professores, pais e comunidade. Suas aulas eram inovadoras e questinavam a política vigente, transmitindo aos seus alunos a indignação diante do modelo político e social vigente. O nome dado à biblioteca da escola "Biblioteca Professor Athanásio Orth", se justifica pelo grande esforço desse professor em divulgar e estimular a cultura entre toda a Comunidade Escolar. Mais tarde, passou a lecionar na Universidade de Passo Fundo e foi Secretário de Educação naquele município.

Junto com a repressão social e política, mudam as tendências da Educação no Brasil. Com a escola tecnicista o modelo empresarial é aplicado à escola, sendo dado ênfase aos meios, recursos metodológicos utilizados, a cientificidade (problemas resolvidos cientificamente), neste modelo, o aluno é visto como um produto, um elemento para quem o material é preparado.

Pela reforma de 1971, o ensino de 2º grau tornou-se todo ele profissionalizante. O aluno só poderia concluí-lo mediante a obtenção de um diploma de auxiliar técnico (3 anos) ou de técnico (4 anos). No ensino de 1º grau, houve a fusão do primário com o ginásio formando um curso de 1º grau com duração de 8 anos.

O fim das escolas particulares em Tapera - Democratização do acesso como conquista comunitária

Num clima de muita expectativa e diante desse contexto cria-se então a Escola Estadual de 2º Grau (decreto 23.190/07/74), tendo como primeira diretora a professora Madalena Noêmia Hansen, assessorada pela professora Zenide Theisen e pelo professor Athanásio Orth. Ressalta-se o espírito de coragem e arrojo dos pioneiros que enfrentaram toda a sorte de dificuldades, desde entraves burocráticos, falta de professores e de espaço físico. Sendo a Escola Estadual uma continuidade das escolas particulares que já existiam no município e pelo município ser um centro regional, que recebia alunos de outros municípios, a demanda era considerável, os recursos escassos, a maioria dos professores tinha formação incompleta, e falta de prédio próprio para o funcionamento da escola era um fato que gerava insegurança, pois dependia-se a cada ano da renovação de contrato de aluguel entre a entidade proprietária e o estado. Um avanço conquistado pela comunidade taperense foi o fato de terem sido transformadas em estaduais as escolas que antes eram particulares, havendo a democratização do acesso.

Em março de 1975, foi alugado, pelo estado, o prédio da antiga Escola Nossa Senhora Imaculada para a escola de 2º Grau, deixando esta de funcionar no prédio construído pela Sociedade Cultural Taperense e, "Diante da escassez de recursos financeiros e humanos para atender às novas exigências decorrentes da Reforma do Ensino, as irmãs entregaram ao Estado e sua obra apostólica na Escola Nossa Senhora Imaculada" ( Irmã Therezinha Guerra) .Os cursos oferecidos pela escola na época, atendendo aos princípios da 5692/71, pela qual todos os estabelecimentos foram obrigados a implantar habilitações profissionais, mesmo sem as mínimas condições para tanto, eram, a saber: Magistério de 1º a 4º série de ensino de 1º Grau, sendo integrante desta o Curso de Aplicação, e mais as habilitações de : Auxiliar de Adubação, Agente de Defesa Sanitária e Vegetal, de Assistente Administrativo, de Secretariado e de Auxiliar de Escritório.

Quando da escolha do nome da Escola, achou-se justo homenagear as irmãs que fundaram a Escola Primária em 1933, além de colocar a Escola Estadual sob a proteção de Nossa Senhora, na difícil tarefa de educar e formar seres humanos. A escolha do nome se deu de forma democrática, não havendo divergências entre as religiões do município.

Fortalecimento do Curso de Magistério

Para a Habilitação Magistério continuou a vinda de alunos de diferentes municípios, por ser o único curso da região gratuito. Os alunos provenientes dos municípios de Tapera, Espumoso, Ibirubá, Não Me Toque, Selbach, Lagoa dos Três Cantos, Colorado e Victor Graeff recebiam uma formação de qualidade sem desembolsar recursos.

Na década de 80 com a preocupação de oferecer uma melhor qualificação aos professores, a Escola elabora sua Proposta Político-Pedagógica baseada numa linha progressista e libertadora, visando o comprometimento com a qualidade da escola pública.

Pela qualidade do Curso oferecido, a Habilitação Magistério incentivou e contribuiu para novas experiências pedagógicas e melhoria da qualidade de ensino em toda a região abrangida por esta escola, uma vez que fez parte da formação de profissionais que atuam nas diferentes áreas de Educação, dos cursos Superiores da Região e do Estado - UNICRUZ, UNIJUÍ, UPF, UFSM, ULBRA.

Nesse período, percebe-se a nível nacional, transformações do sistema político, "distensão" e "abertura" eram os termos usados, o que levaria o país a redemocratização que deveria ser "lenta, segura e gradual", ou seja, submetida ao controle do governo.

A década de 80 chega sem muitos avanços, apesar da anistia. Os meios de comunicação continuam alienados e alienantes, o presidente concentrava em suas mãos imensos poderes. Movimentos reivindicatórios e grevistas eclodiram e eram reprimidos.

O futebol continuava sendo o ópio do povo brasileiro, significando muito mais que um esporte. Ele mistificava a realidade escondendo a injustiça social. No jornal, TV e rádio, ele ocupa mais espaço que as notícias diárias, fazendo com que o trabalhador não pensasse nas dificuldades do dia-a-dia, e sim nos gols, nas chuteiras, nos jogadores.

Um marco nas lutas populares

No ano de 1983, Lorita Maria Weschenfelder de Oliveira era a Diretora da Escola Estadual de 2º Grau Nossa Senhora Imaculada. Neste ano, os professores da área de Estudos Sociais e os alunos, autorizados pela direção da escola, fizeram, inicialmente, uma pesquisa junto à comunidade sobre o que o povo entendia por pátria e qual sua opinião sobre ela. Com os dados deste trabalho em mãos, realizaram vários debates entre os alunos, que chegaram à conclusão de que pátria é um todo, um conjunto de tudo que existe em nosso país e que seu elemento principal é o povo, que o mesmo vive numa situação difícil e que poucos tinham consciência desta grave situação. Vale ressaltar que vários alunos e professores do Imaculada faziam parte de movimentos sociais do município, como CEBS, JUC, JOC, Pastorais da Juventude, bem como de Partidos de Esquerda, e encontravam na Escola um espaço de discussão e de organização, além do conhecimento e da educação formal.

Num segundo momento, os alunos tomaram consciência de que nas comemorações da semana da pátria eles saíam as ruas uniformizados, marchando e carregando cartazes fora da realidade, com dizeres que escondiam a luta difícil do dia-a-dia do povo brasileiro.

Baseados nisso, os alunos com ajuda dos professores e o apoio da direção, decidiram que cada turma teria toda liberdade para escolher o que gostaria de apresentar e representar no desfile, mas tendo sempre presente o objetivo principal: mostrar a realidade atual da pátria.
Uma das turmas, por exemplo, representou a árvore do capitalismo com as raízes do lucro e da opressão; seus adubos: os Meios de Comunicação Social e a educação; junto com seus frutos: miséria, fome, desemprego, analfabetismo, etc. O objetivo desta turma era mostrar o quanto é difícil ser patriota num sistema que oprime cada vez mais os pobres para o enriquecimento fácil dos ricos.

Uma outra turma saiu à rua com a faixa: "O respeito aos direitos humanos é condição primordial para que se chegue a uma independência". Logo atrás, vinham outros alunos com pequenos cartazes, demonstrando os direitos humanos não respeitados.

Uma terceira turma, baseada na dependência do Brasil com as multinacionais, desfilou vestida com roupas que continham emblemas e marcas de produtos multinacionais que dominam nosso mercado consumidor. E para mostrar que devemos valorizar a nossa cultura, alguns alunos desfilaram com trajes típicos do folclore gaúcho, carregando uma faixa com a frase: "Independência com o que é nosso".

Um quarto grupo de alunos desfilou com correntes em forma de círculo que envolviam o mapa do Brasil, a dívida externa, o FMI, a inflação. O desemprego, etc.

Um quinto grupo de alunos, preocupados com o futuro, desfilou com uma faixa onde se lia: "Com esta independência, que tipo de futuro deixaremos para nossos descendentes?".

Em outras faixas, inspiradas em textos do Jornal Mundo Jovem, se lia: "Da independência do ontem à dependência do hoje". "A independência não é um fato acabado, ela depende de cada um".

Não fosse o fato de estar presente o Batalhão do 3º Exército de Cruz Alta, com tanques de guerra e quase 200 soldados esperando para desfilar, talvez o desfile do Imaculada passasse despercebido. Após o desfile dos alunos, o comandante retirou-se do altar da Pátria, revoltadíssimo, levando consigo todo o aparato militar, causando mal estar nas autoridades presentes. O fato foi divulgado até mesmo na imprensa estadual.

Após todos estes acontecimentos, em dezembro de 1983, quando os alunos estavam em férias, a direção da escola foi afastada. Segundo os alunos, as justificativas foram óbvias: 1) O fato de a direção ter permitido aos alunos uma oportunidade de expressão e demonstração de seus sentimentos e perspectivas sobre a pátria; 2) Por não consentir que os alunos desfilassem de forma alienada, uniformizados como sempre o faziam. (retirado dos panfletos distribuídos pelos alunos).

Em março, início do ano letivo de 1984, os alunos paralisaram as aulas num gesto de solidariedade pela direção afastada e fizeram um ato público na praça central em sinal de protesto.

Tudo isto aconteceu numa escola que em sua filosofia tem por objetivo proporcionar ao ser humano condições de vir a ser crítico, dialógico, fraterno, solidário e justo.

Já na época, os alunos se questionaram: Alguém é criminoso pelo fato de oportunizar um crescimento global aos alunos? Qual a função de uma escola, senão a de permitir que se mostre a verdade? Que independência é esta que não pode ser questionada? Devemos continuar desfilando "bonitinhos" para desviar a atenção dos graves problemas que afligem o nosso povo? (frases retiradas dos panfletos elaborados pelos alunos).

O 1º ato público de Tapera, organizado pelos alunos do Imaculada, ficou na história do município, pois em plena ditadura militar, falou-se em política e na situação sócio-econômica do país. A partir daí, muitas lideranças surgiram e os movimentos sociais reforçaram suas lutas, percebendo que ainda era possível sonhar com um mundo diferente daquele que estavam nos impondo de maneira arbitrária.

Registro dos fatos que marcaram o polêmico desfile de 7 de Setembro de 1983, no qual a Escola mostra a leitura crítica da realidade política-econômica e social do país.

A pseudodemocratização nacional - Reflexos no município

A sociedade brasileira estava em campanha das diretas-já, querendo a realização de eleições diretas para a presidência da República em 1984, manifestando-se através de comícios, ficando claro que os brasileiros não aceitavam mais as regras do jogo político imposto pelos militares. Em 15 de janeiro de 85 Tancredo Neves foi eleito presidente pelo Congresso Nacional, o primeiro presidente civil depois de 21 anos de governos militares, mas não toma posse, pois adoece e morre, assumindo seu vice José Sarney.

Em 1986, assume a direção da Escola, o professor Reimundo Vicente Werlang, após eleição com lista tríplice, uma das conquistas do movimento grevista do Magistério Público Estadual do RS.

Na parte administrativa da escola, foi efetuada a compra do prédio escolar pelo Estado, o que possibilitou a abertura de todo o seu pátio interno, Foi organizado, então, uma "Horta Escolar Comunitária", da qual professores e alunos desfrutavam das hortaliças que eram utilizados na merenda escolar.

Na época, a sociedade brasileira exigiu uma reformulação no texto constitucional, pois o que estava em vigor sofrera inúmeras reformulações autoritárias no período militar e não expressava mais a vontade popular.

No ano de 1987 instalou-se a Assembléia Nacional Constituinte, presidida por Ulisses Guimarães e em 1988 foi promulgada a nova constituição brasileira que representou um passo importante para a redemocratização do país.

A escola, adequando-se ao disposto no artigo 205 da constituição e ao artigo 206, no qual a educação deveria atender aos princípios de liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, o pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, efetuou muitas inovações tanto na estrutura física da Escola, quanto na parte pedagógica.

A construção de um palco de apresentações para a realização do trabalho de expressão oral, também o laboratório de Ciências foi equipado numa parceria com a UNICRUZ. Foram intensificadas as sessões de estudos relativos a educação para alteração de bases, Regimento Escolar e legislação. Neste período houve muita pesquisa, visitas e estudos para implantação da matrícula por disciplina, no noturno numa tentativa de tornar mais acessível aos alunos trabalhadores a formação secundária. Foi implantado, novamente, para atender as necessidades e a pedido da comunidade, o curso de Contabilidade.

Foi um período de busca, estudo e leituras que contribuíram para a qualificação profissional dos professores deste educandário bem como fazer com que o Imaculada deixasse uma marca muito positiva na história da educação do município. A Habilitação Magistério, no decorrer de sua caminhada, atendendo as necessidades locais e regionais, e partindo do princípio de integração e Escola-comunidade, participa da organização de eventos culturais e comunitários, locais e regionais como Feiras de Livros, Campanhas de Vacinação, Campanhas de higiene e saúde bucal, nas Políticas Públicas para o Lazer, Encontro Anual de Escolas do Meio Rural do município de Tapera (desde 1987, em parceria com a Emater e Prefeitura Municipal).

Nas eleições para presidente de 1989, é eleito pelo povo, Fernando Collor de Mello. Não pela vontade dos gaúchos e taperenses, que demonstraram maturidade política e disseram não a este que mostrava na mídia uma falsa imagem de defensor do povo e inimigo da corrupção. Era retratado como estadista novo, belo, misto de esportista e intelectual. Como sempre a escola realizou um trabalho crítico e reflexivo, colaborando para o exercício consciente da cidadania discutindo com os alunos o poder dos meios de comunicação social. O desfecho do "engodo" Fernando Collor todos sabemos: irregularidades, corrupção, caras pintadas, impeachment do presidente.

Em 1991, apesar de o governador da época, Alceu Collares, ter retirado, a eleição para diretores e querer colocar interventores nas escolas, a Escola Imaculada se rebelou e fez valer sua vontade, e com a indicação unânime de toda a comunidade escolar assume a direção da escola, Maria Regina Bósio Salvadori.

É implantado na escola o Projeto de Pesquisa, no qual todos os alunos do Ensino Médio realizavam uma pesquisa oportunizando uma visão ampla dos conhecimentos, a contextualização, autonomia e a relação entre a teoria e a prática. Mais tarde, esse projeto foi estendido a todas as séries da educação básica, respeitando os níveis de cognição e levando os alunos para a comunidade para que identificassem os conflitos e problemas da mesma, pois entendeu-se que a pesquisa é uma opção metodológica de construção do conhecimento e deve partir da realidade local para inferir nela.

O trabalho realizado pelos alunos resultou em benefícios para comunidade, melhorando as condições de vida da população menos favorecida.

Ao completar 20 anos como escola Estadual, a comunidade escolar do Instituto Imaculada realizou várias atividades comemorativas, culminando com uma grande festa que reuniu alunos e professores que fizeram parte do educandário.

À medida que a comunidade escolar foi assimilando os aspectos teóricos do Projeto Educativo, o mesmo sofreu alterações de acordo com a necessidade da caminhada de todos e do aprofundamento do processo educativo. Também passou a haver maior participação dos pais, estando mais presentes, conforme a necessidade de seus filhos.

Os 25 anos do Imaculada

Por ocasião dos 25 anos do Imaculada, várias atividades significativas foram realizadas. A diretora na época, professora Sirlei Lauxen, não mediu esforços para que esta data fosse comemorada por toda a comunidade taperense. A história do Imaculada foi contada em fotos, numa bela exposição. Além do jantar festivo, reunindo a comunidade e pessoas que fizeram a história do Imaculada, foi bastante significativo o encontro de ex-diretores, estes que estiveram à frente do projeto educativo desta escola, cada um contando suas experiências, angústias e conquistas e narrando fatos pitorescos da época em que foram diretores.

Trabalho dos alunos do 3º ano do Curso de Magistério, por ocasião dos 25 anos do Imaculada, onde foram convidados os ex-diretores para relatarem sua caminhada na escola.

Hoje, 32 anos se passaram, de lutas, conquistas e realizações, onde o Instituto Imaculada, procura inovar a cada dia, para dar a melhor qualidade de ensino a seus alunos.

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